Exportadores brasileiros enfrentam novas tarifas na Venezuela, aplicadas sem aviso prévio
Produtos do Brasil estão sendo taxados com alíquotas de até 77%, apesar de acordo comercial vigente entre os países

Empresários brasileiros que exportam para a Venezuela foram surpreendidos nos últimos dias com a cobrança inesperada de tarifas de importação que variam entre 15% e 77%. A medida, adotada sem qualquer tipo de notificação oficial, está gerando incertezas e prejuízos, especialmente para o estado de Roraima, que faz fronteira direta com o país vizinho.
Mesmo produtos que deveriam ter isenção tarifária, amparados por certificado de origem, estão sendo taxados pelas autoridades venezuelanas. A informação foi inicialmente divulgada pelo jornal Folha de Boa Vista e confirmada pela Federação das Indústrias do Estado de Roraima (FIER), que já iniciou apurações internas sobre o caso.
Segundo a FIER, a principal dificuldade relatada pelos exportadores é a rejeição dos certificados de origem brasileira pelas autoridades venezuelanas, fator que tem gerado a cobrança de tarifas indevidas. O Brasil e a Venezuela são signatários do Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69), que prevê isenção de tarifas para a grande maioria dos produtos comercializados entre os dois países.

Em nota, o Centro Internacional de Negócios da FIER informou que está em diálogo com órgãos competentes do Brasil e da Venezuela para esclarecer o motivo da mudança repentina e buscar uma solução urgente para restabelecer o fluxo normal do comércio bilateral. A entidade reafirma que os certificados emitidos seguem rigorosamente as normas da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI).
Enquanto a situação não é resolvida, exportadores brasileiros, especialmente os de Roraima, seguem enfrentando barreiras que impactam diretamente suas operações e colocam em risco as relações comerciais entre os países.
