A religião e bolsonarismo possuem uma relação de proximidade desde a ascenção do ex-presidente Jair Bolsonaro no cenário político. Em 2025, complicações de saúde e a condenação de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses por participação na trama golpista evidenciaram ainda mais essa aproximação entre política e religião.

De acordo com o cientista político Murilo Medeiros, Bolsonaro e família compreendem a religião como um “poderoso marcador identitário” e a fé não é apenas uma crença pessoal, mas uma “linguagem política permanente”.

“O bolsonarismo se estruturou como uma política de valores, na qual temas como família, autoridade e oposição a pautas identitárias passaram a organizar a percepção de pertencimento político”, diz o cientista.

Medeiros explica que a fé, no âmbito dos eleitores de Bolsonaro, funciou como um “atalho de confiança política” em um cenário de desconfiança generalizada. No entanto, ele reforça que a religião na esfera pública não é problema para a democracia, inclusive, a liberdade religiosa é um pilar da sociedade.

“O desafio democrático surge quando a expressão da fé passa a capturar instituições do Estado, substituindo o pluralismo por uma lógica de exclusão”, explica.

Para o professor, o desafio atualmente é “encontrar o equilíbrio entre o respeito à livre manifestação da fé, sem permitir que ela se transforme em hegemonia institucional”.

O analista especialista em marketing político, Deividi Lira, a relação entre religião e política no Brasil é histórica e estrutural, e, na democracia contemporânea – especialmente a partir da Constituição Federal de 1988 – o vínculo se reorganiza: “O Estado se afirma laico, mas a liberdade religiosa amplia a presença de atores religiosos no debate público”.

Para Deividi, o crescimento das igrejas evangélicas, sobretudo as neopentecostais, reforçou a religião como discurso político, usada para construção de identidades coletivas e pautação de discursos morais, e tem o impacto ambíguo: “Ao mesmo tempo em que amplia a participação política de determinados grupos, também tensiona a laicidade do Estado e contribui para uma polarização baseada em valores absolutos, deslocando o debate de políticas públicas para disputas, muitas vezes, morais”.

Religião como moeda politica: a fé e o bolsonarismo em 2025 - destaque galeria9 imagensApoiadores de Jair Bolsonaro se emocionam durante pregaçãoBispo Fernando Fé durante pregação,Apoiadora de Jair Bolsonaro se emociona durante pregaçãoOração pela saúde de BolsonaroApoiadoras em momento de oraçãoFechar modal.MetrópolesApoiadora em lágrimas durante pregação1 de 9

Apoiadora em lágrimas durante pregação

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Apoiadores de Jair Bolsonaro se emocionam durante pregação

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Bispo Fernando Fé durante pregação,

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Apoiadora de Jair Bolsonaro se emociona durante pregação

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Oração pela saúde de Bolsonaro

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Apoiadoras em momento de oração

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Momento de oração

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Apoiadoras oram pela saúde de Bolsonaro

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Apoiador de Bolsonaro durante vigília

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A fé e o bolsonarismo

O ano não foi fácil para apoiadores de Jair Bolsonaro. O ex-presidente teve um ano repleto de reviravoltas, desde complicações de saúde até a condenação a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento na trama golpista.

No dia 13 de abril, Bolsonaro passou por um procedimento cirúrgico, para tratar uma suboclusão intestinal — obstrução parcial do intestino, e ficou cerca de três semanas internado no hospital DF Star, em Brasília. Ao longo desse período apoiadores, liderados pelo bispo Fernando Fé, costumavam cantar e orar pelo ex-presidente de 3 em 3 horas.

No dia 4 de agosto, por determinação do STF, Bolsonaro passou a cumprir prisão domiciliar após descumprir algumas medidas restritivas impostas, no dia 18 de julho, pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante o período preso em casa, recebeu a visita de diversos parlamentares aliados, e um outro grupo se destacou na forte presença na casa de Jair: o de religiosos, amigos da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro que prestavam “apoio espiritual à família” e apoiadores.

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O apoio religioso não limitou-se a visitas à residência de Bolsonaro. Do lado de fora do condomínio Solar de Brasília, onde o ex-presidente cumpriu domiciliar, apoiadores realizaram diversas vigílias cristãs em apoio ao ex-mandatário do Planalto.

Entre 1º e 19 de setembro, o Solar de Brasília se tornou ponto de vigílias diárias organizadas por Eduardo Torres, irmão de Michelle Bolsonaro.

Religião como moeda politica: a fé e o bolsonarismo em 2025 - destaque galeria12 imagensApoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro se reúnem em vigíliaBandeira dos Estados Unidos esteve presente na vigíliaReligião como moeda politica: a fé e o bolsonarismo em 2025 - imagem 4Apoiadores fazem vigília para BolsonaroDeputado Marcos PollonFechar modal.MetrópolesDe joelhos, apoiadora faz clamor por Bolsonaro1 de 12

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Bandeira dos Estados Unidos esteve presente na vigília

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Apoiadores fazem vigília para Bolsonaro

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Deputado Marcos Pollon

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Jair Renan e Carlos Bolsonaro cumprimentam apoiadores

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Jair Renan com apoiadora

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Jair Renan e Carlos Bolsonaro com apoiadores

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Deputado Coronel Chrisóstomo

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Apoiadores fazem vigília para Bolsonaro

Michael Melo/Metrópoles

As vigílias religiosas tem como objetivo apoiar o ex-presidente, por meio de orações.

Os encontros reuniram deputados, senadores, militantes e fiéis vestidos de verde e amarelo, com bandeiras do Brasil, dos Estados Unidos e de Israel. Cantavam hinos cristãos, faziam orações e pediam “força e livramento” para o ex-presidente.

Uma das principais frequentadoras dos atos religiosos pró-Bolsonaro, Eliane Pereira, de 62 anos, conhecida como Lili Carabina, comentou ao Metrópoles o que busca com os atos.

“Seguimos firmes desde então, porque Deus disse: ‘Digo ao fraco que eu sou forte’. O que nós precisamos é que Deus fortaleça e restaure a saúde do Jair Messias Bolsonaro, porque nós, brasileiros de bem, precisamos dele para salvar o Brasil”.

Religião como moeda politica: a fé e o bolsonarismo em 2025 - destaque galeria4 imagensApoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro fazem vigília próximo ao condomínio onde ele mora em BrasíliaO senador eleito pelo PL caiu nas lágrimas durante uma oraçãoVigília em frente a casa do ex-presidenteFechar modal.MetrópolesFlávio Bolsonaro em oração pelo pai1 de 4

Flávio Bolsonaro em oração pelo pai

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Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro fazem vigília próximo ao condomínio onde ele mora em Brasília

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O senador eleito pelo PL caiu nas lágrimas durante uma oração

Giovana Alves/MetrópolesVigília em frente a casa do ex-presidente4 de 4

Vigília em frente a casa do ex-presidente

Giovana Alves/Metrópoles

Dia da prisão preventiva

No dia 22 de novembro, Bolsonaro foi preso preventivamente pela Polícia Federal (PF), deixando a domiciliar e passando a cumprir pena na Superintendência da PF.

No mesmo dia, foi realizado um ato religioso em apoio a Bolsonaro, na frente do condomínio Solar de Brasília. Na decisão que decretou a prisão preventiva, o ministro Alexandre de Moraes citou a vigília, convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como um dos fatores que ensejaram a decisão.

Após esse período, o movimento perdeu força. Entre o fim de 2025 e o início de 2026, quando Bolsonaro foi internado no DF Star para ser submetido a procedimentos cirúrgicos, a presença de apoiadores reduziu significativamente.

O ex-presidente deixou o hospital no dia 1º/1 e voltou para a prisão, na Superintendência da PF.

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