Governo cita falta de votos e admite análise de Messias pós-eleições

A tramitação da indicação do Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) deve ficar para depois das eleições de outubro. A avaliação é a mesma tanto entre aliados da cúpula do Senado quanto para líderes do governo, que avaliam não haver como garantir o número de votos necessários diante da disputa nacional.

Na visão de um líder do governo ouvido pelo Metrópolescom a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial, todas as pautas que forem votadas no Senado vão estar estampadas na campanha e que, por isso, a oposição pode tentar impor uma derrota simbolicamente forte ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como uma demonstração de força.

Por isso, governistas preferem que a eleição passe para garantirem um ambiente mais ameno a fim de articular votos para Messias.

Estátua do STF com Congresso ao fundo
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Estátua do STF com Congresso ao fundo

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Lula e Jorge Messias
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Lula e Jorge Messias

Reprodução / Redes sociais

Jorge Messias
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Jorge Messias

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Lula e Alcolumbre
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Lula e Alcolumbre

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Senador Rodrigo Pacheco
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Senador Rodrigo Pacheco

Igo Estrela/Metrópoles

Distância entre presidentes

O adiamento da votação sobre Messias para o último trimestre do ano também encontra respostas no distanciamento político entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP)que ensaiam uma reaproximação que tem se mostrado tímida há alguns meses.

Um líder governista diz que a conversa de Lula e Alcolumbre deve ocorrer até quinta-feira (12/3), e deve servir para “lavarem roupa suja”. A relação de ambos não foi mais a mesma desde que o presidente escolheu a AGU em detrimento do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), preferido pelo presidente do Senado.

Um jantar descontraído de Lula com líderes partidários da Casa, por exemplo, nos mesmos moldes do que o presidente fez em fevereiro com lideranças da Câmara, só deve ser feito depois do “acerto de contas” entre o petista e Alcolumbre. Sem isso, dizem interlocutores, não existe clima para fazer um evento semelhante.


A indicação de Messias ao STF

  • Lula indicou Jorge Messias para a vaga de ministro do STF em novembro, depois do ministro Luís Roberto Barroso antecipar sua aposentadoria;
  • A indicação do petista irritou a cúpula do Senado, que preferia o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Congresso;
  • Com o atrito, Lula segurou a mensagem de indicação e até o momento não enviou o documento ao Senado;
  • Lideranças governistas avaliam que só depois da pacificação da relação de Alcolumbre e Lula e do período eleitoral, é possível unir votos para aprovar Messias na Casa.

Governo admite ainda não ter votos

A base governista admite que o Advogad0-Geral da União não tem os 41 votos necessários para ser aprovado nesse momento. Por isso, está satisfeita com a votação mais próxima do fim do ano. O grupo argumenta que depois das eleições, é mais fácil fazer a construção política em relação ao tema.

Como mostrou o Metrópolesuma ala dos governistas no Senado vê Messias com o apreço dos senadores, mas a falta de atenção e gestos políticos de Lula à Casa mantém em risco a aprovação.

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