Conheça figuras que ajudaram a escrever os 307 anos de história | RDNews – Eleito o melhor site de Mato Grosso
Nenhuma capital brasileira completa mais de 300 anos sem colecionar figuras históricas que relembrem seu povo frequentemente da importância de quem um dia passou por ali. Não seria diferente com a capital mato-grossense. Com 307 anos, Cuiabá é um símbolo do que um dia foi a exploração pelo ouro aqui guardado e hoje é uma promessa para o futuro. Na história de uma cidade que, hoje, conta com mais de 680 mil habitantes, estão marcados os nomes de diversos personagens que ajudam a contá-la e que também dão nome a locais do Capital, como Maria Taquara, que dá nome à praça, Dom Aquino, que é nome de museu e bairro; Mãe Bonifácia, nome do famoso parque que fica no bairro Despraiado.
Conheça a histórias destas figuras:
Maria Taquara e sua ousadia em usar calças
Maria da Glória Cunha, conhecida popularmente como Maria Taquara, nomeada desta forma provavelmente por sua semelhança física com a planta, alta e magra, foi uma lavadeira nordestina que viveu a maior parte de sua vida em Cuiabá. Negra e de origem muito humilde, Maria virou símbolo de milhares de mulheres marginalizadas pela sociedade que tiveram que enfrentar dificuldades para seguir vivendo.
Apesar de sequer saber que seria uma revolucionária, arquivos apontam que Maria Taquara foi a primeira mulher a usar calças na capital mato-grossense, o que, para a primeira metade do século XX, era visto como um ataque à moralidade e aos bons costumes.
No artigo “O monumento, a praça e a personagem Maria Taquara”, escrito pelas pesquisadoras Maria de Lourdes Fanaia Castrillon, Ana Graciela M. F. da Fonseca Voltolini e Fabiane Krolow, a imagem de Maria Taquara é abordada na arquitetura da capital. Sua escultura, fixada na praça que também recebe seu nome, é uma forma de preservar a história de uma mulher que, como tantas outras, lutou sem as mesmas condições de igualdade para sobreviver.
Na placa que acompanha seu monumento, sua ousadia foi honrada: “sempre soube que a vida não seria fácil, ainda mais em uma sociedade conservadora. Mas foi neste contexto histórico que Taquara se transformou em uma lenda da nossa cultura. Foi a primeira mulher a abolir saias. Ela viu na calça comprida a sua marca registrada. O motivo era a profissão, que exigia roupas práticas e resistentes para o trabalho no córrego da Prainha. Sempre com uma trouxa na cabeça, de casa dos patrões para sua casa e vice e versa. Não há registro de seu nome completo, data de nascimento e morte… simplesmente desapareceu”.
Mãe Bonifácia: a guardiã da liberdade no coração de Cuiabá
Se Maria Taquara representa a ousadia que quebra padrões, Mãe Bonifácia simboliza a coragem silenciosa. destinos. Bonifácia foi uma mulher negra alforriada que viveu no século XIX e cuja história, por muito tempo, permaneceu apagada pelos estigmas racistas. Ainda assim, sua presença ecoou forte o suficiente para atravessar gerações, hoje imortalizada no Parque Mãe Bonifácia, área onde ela viveu e atuou.
Bonifácia era curandeira, conhecedora profunda das ervas e de seus poderes medicinais. Seu conhecimento ancestral a tornou referência na região, mas foi seu espírito acolhedor que lhe garantiu o título de “Mãe”. Em uma época marcada pela brutalidade do regime escravista, ela acolheu escravizados fugitivos, tratava suas feridas físicas e emocionais, oferecia abrigo e, sobretudo, esperança.
Mãe Bonifácia orientava esses homens e mulheres sobre caminhos seguros que poderiam levá-los até quilombos no interior de Mato Grosso, onde a liberdade era possível. Sua casa se transformou em refúgio, e ela própria tornou-se guardiã da resistência negra em Cuiabá.
A memória de Mãe Bonifácia, embora presente no imaginário popular desde o século XIX, só ganhou real visibilidade na historiografia local a partir da década de 1990. A região onde viveu, que por muitos anos funcionou como base militar, permaneceu marcada por sua história. Foi essa persistência da memória coletiva que motivou, no contexto da reurbanização da capital, a criação do parque que hoje leva seu nome.
Dom Aquino e o projeto para modernizar Cuiabá
O historiador Danilo Monlevade reflete sobre a paixão de Dom Francisco de Aquino Corrêa, arcebispo da Arquidiocese de Cuiabá, poeta, escritor e político, pela sua cidade natal.
Nascido em 1885, Dom Francisco de Aquino Corrêa auxiliou na fundação da Academia Mato-grossense de Letras e foi o primeiro a integrá-la. Além disso, também foi um dos responsáveis pela criação do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso. Como religioso, foi consagrado como bispo auxiliar de Cuiabá pelo Papa Pio X, aos 29 anos, o que o tornou o bispo mais jovem do mundo à época. No cenário político, foi governador de Mato Grosso e responsável pelo desenho do brasão atual da bandeira do estado.
Vivendo no contexto histórico turbulento da Primeira República, Dom Aquino presenciou um Mato Grosso comandado por coronéis e com grupos políticos que, na mesma rapidez com que nasciam, eram desfeitos.
Danilo discorre sobre o fato de que um dos objetivos de Dom Aquino era claro: colocar Mato Grosso como parte da história do Brasil, apresentando a sua importância na formação da nação, e uma das maneiras de se conquistar tal desejo foi justamente a criação do Instituto Histórico e Geográfico.
“Caberia aos historiadores mato-grossenses escreverem a história regional, elegendo heróis e os acontecimentos julgados relevantes, inserindo Mato Grosso como um dos protagonistas do enredo nacional. Caberia ainda, reafirmou D. Aquino, no discurso de instalação do Instituto Histórico na noite de 8 de abril de 1919, de criar um só povo mato-grossense e superar os conflitos políticos recentes”, expõe o historiador.
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