Waller deixa o INSS com 2,7 milhões de pessoas na fila de espera

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu trocar o comando do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em meio à pressão pela redução da fila de espera por benefícios.

Gilberto Waller deixou, nesta segunda-feira (13/4), a presidência do órgão com cerca de 2,7 milhões de pedidos aguardando análiseum dos principais desafios enfrentados pela gestão.

Além disso, o órgão ainda sente os reflexos do desgaste por conta das fraudes reveladas pelo Metrópoles (veja abaixo).

A substituição de Walller ocorre após meses de cobrança interna e externa pela demora na concessão de aposentadorias, auxílios e outros benefícios.

Apesar de a fila ainda ser considerada elevada, houve uma leve redução recente no volume de requerimentos, que chegou a superar 3 milhões ao longo do último anoquando o ex-presidente assumiu o cargo. Segundo o INSS, o sistema registra cerca de 61 mil novos requerimentos por dia.

Waller assumiu o cargo em 2025 com a missão de reduzir o estoque de pedidos e chegou a adotar medidas para acelerar a análise, como a criação de uma fila nacional e a realização de mutirões. Ainda assim, o ritmo de queda não foi suficiente para afastar as críticas sobre o tempo de espera enfrentado pelos segurados.

A fila do INSS é hoje um dos principais pontos de atenção dentro do governo, já que impacta diretamente milhões de brasileiros que dependem dos benefícios previdenciários. O represamento também tem efeito fiscal, pois atrasos na concessão podem gerar pagamentos retroativos mais elevados no futuro.

A nova presidente, Ana Cristina Viana Silveira, assume com o desafio de acelerar a análise dos pedidos e reduzir o tempo de espera. A expectativa é que a troca de comando ajude a destravar a fila e melhorar a eficiência do órgão, em um cenário de forte demanda por benefícios e em um ano eleitoral onde o tamanho da fila será levado para a campanha de Lula.

A avaliação é que, embora tenha havido algum avanço na redução do estoque, o tamanho da fila ainda é considerado incompatível com o prazo legal de análise, hoje fixado em até 45 dias.


Farra

O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.

As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.

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