O que se sabe sobre os 21 desaparecimentos na Rota dos Milagres

Uma série de desaparecimentos na Rota Ecológica dos Milagres, no litoral norte de Alagoas, tem mobilizado forças de segurança do estado nos últimos dois anos. Dos 21 casos registrados, 14 pessoas seguem desaparecidas e outras sete foram encontradas mortas.

Embora a região, que reúne os municípios de Porto de Pedras, São Miguel dos Milagres e Passo de Camaragibeatraia milhares de turistas para o estado todos os anos, autoridades locais já descartaram qualquer relação dos casos com o turismo.

Em entrevista ao Metrópoleso coronel Patrick Madeiro, secretário-executivo da Secretaria de Segurança Pública (PES-AL), afirmou que as investigações apontam para o envolvimento das vítimas com o crime organizado e facções criminosas (veja o vídeo abaixo).

A maioria dos casos, informou a pasta à reportagem, está associada a disputas internas do tráfico de drogasinclusive com conexões interestaduais — pessoas que entram e saem da região com esse objetivo.


Entenda o caso

  • A Rota Ecológica dos Milagres, no litoral norte de Alagoas, registrou 21 desaparecidos entre os anos de 2024 e 2026. A região, conhecida pelas praias paradisíacas, atrai milhares de turistas todos anos.
  • Os casos chamaram atenção das autoridades locais em 2024, quando houve um salto nos registros de desaparecidos naquela região.
  • Até o momento, sete pessoas foram encontradas mortas e 14 ainda seguem desaparecidas.
  • As investigações já descartaram qualquer relação dos casos com o turismo local e apontam a relação das vítimas com o crime organizado e com facções criminosas que atuam no estado.

O que se sabe sobre os desaparecidos?

Ao todo, 21 pessoas foram registradas como desaparecidas entre 2024 e 2026 na Rota Ecológica dos Milagres. Os casos começaram a chamar atenção quando cinco pessoas foram dadas como desaparecidas em 2024 — número que foi interpretado como um salto em relação aos anos anteriores.

Ao Metrópoleso delegado responsável pela Delegacia de Desaparecidos de Alagoas, Ronilson Medeiros, informou que uma coordenação foi instalada para investigar o salto de casos, o que desencadeou as investigações atuais.

Dos 21 casos registrados, 14 pessoas seguem desaparecidas e sete delas foram encontradas mortas.

Entre aqueles que seguem desaparecidos, apenas uma é mulheridentificada como Maria Vitoria Chaves da Silva. Ainda segundo as investigações, a maioria é natural de Alagoasmas há também pessoas naturais de outros estados, como Sergipe e Pernambuco.

Ainda segundo a Secretaria de Segurança Pública do estado, todos os desaparecidos nos últimos anos apresentam algum tipo de vínculo com o universo criminal: seja por antecedentes formais, pertencimento a organizações criminosas, dívidas com o narcotráfico ou convívio habitual com integrantes de Organizações Criminosas:

  • Três casos relacionados com o tráfico de drogas;
  • Três casos ligados à rivalidade entre facções e à guerra territorial;
  • Dois casos investigados por suspeita de delação e/ou vazamento de informações;
  • Quatro casos relacionados a traição ou “violação de regras” das organizações criminosas pertencentes; e
  • Três casos relacionados à presença em área de domínio rival.

As apurações evidenciam ainda a presença e a rivalidade de ao menos quatro grupos criminosos com atuação na região ou com indivíduos originários dessas organizações. São elas:

  • Tropa do Kebinho — organizações criminosa regional vinculada ao Comando Vermelho (CV);
  • Trem Bala para CV — facção aliada à Tropa do Kebinho;
  • PCC (Primeiro Comando da Capital) — facção rival do CV;
  • Tropa dos Crias — grupo vinculado ao PCC e sediado na divisa de Pernambuco com Alagoas, que possui rivalidade com a Tropa do Comando Litoral Sul (aliada ao CV).

A atuação de organizações criminosas

As investigações apontam ainda para um padrão nos casos que remete à pratica de organizações criminosas, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC). As duas facções, embora tenham origem na região sudeste do Brasil, já têm atuação conhecida em diversas partes do país e, conforme aponta as autoridades alagoanas, já têm sólida atuação no estado.

O coronel Patrick Madeiro, secretário-executivo da SSP-AL, explicou em entrevista ao Metrópoles que essas facções adentraram o estado através do tráfico de drogas e, assim, passam a cooptar novos integrantes. Ainda segundo o secretário, a vida pregressa dessas pessoas acaba colaborando para adesão a essas organizações.

Neste sentido, até mesmo o registro de desaparecimento é investigado com o máximo cuidado pelas autoridades alagoanas. “Ela (pessoa desaparecida) pode estar desaparecida porque está foragido da Justiça ou porque simplesmente está fugindo do problema ocasionado por ela“, afirmou.

“A ausência de corpos e de qualquer contato posterior com familiares admite duas leituras igualmente plausíveis dentro desse contexto: a de que os desaparecidos tenham sido vítimas de ações violentas no âmbito dessas disputas, ou a de que tenham optado pela fuga como estratégia de sobrevivência, rompendo deliberadamente qualquer vínculo rastreável para não expor sua localização a grupos rivais”, explica.

O secretário reforça, contudo, a atuação ostensiva das autoridades alagoanas em todos os casos e não exclusivamente à Rota dos Milagres. “Não tem nenhum lugar onde a Polícia Militar e a Polícia Civil não entrem no estado de Alagoas”, afirma o coronel.

“Nós temos total acesso ao território território alagoano e das forças de segurança pública, aos alagoanos e das pessoas que frequentam aqui. Esses indivíduos que, por ventura, cometeram esses delitos, o resultado não foi bom para eles”, declara Patrick Madeiro.

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