Alcolumbre se solidariza com Jaques Wagner: “Verdades virão à tona”
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), manifestou nesta quinta-feira (18/6) solidariedade ao líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA), que, horas antes, foi alvo de uma operação da Polícia Federal que apura suposto envolvimento em fraudes ligadas ao Banco Master.
Em declaração à imprensa, Alcolumbre defendeu o princípio da presunção de inocência e afirmou que o colega terá a oportunidade de se defender ao longo do processo. O presidente do Senado, que teve divergências políticas com Wagner nos últimos meses, ressaltou que o petista tem o respeito e a admiração da Casa.
“Meu apoio e minha solidariedade integral a um colega senador da República. Eu tenho a convicção que, no decorrer do processo, as verdades do senador Jaques Wagner virão à tona e elas serão comprovadas, e um dia elas serão julgadas, e é lá nesse dia que a pessoa pode ser condenada ou inocentada”, declarou.
A ação contra Jaques foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na decisão, o magistrado aponta suspeitas de que Jaques Wagner teria recebido “vantagens econômicas” em troca de atuações favoráveis aos interesses do banco no Congresso.
Entre os benefícios citados pela PF estão um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador e repasses que somariam R$ 3,5 milhões a pessoas ligadas ao senador. Segundo os investigadores, o elo entre o líder do governo e a instituição financeira era Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no banco.
Lima é apontado como o responsável por estruturar negócios de crédito consignado que impulsionaram o Master. Documentos pelo banco de Vorcaro enviados ao Banco Central mostram que o crescimento dessas operações ocorreu por meio do Credcesta, um modelo de cartão consignado que nasceu na Bahia durante as gestões petistas ligadas a Jaques e ao ex-ministro Rui Costa e expandiu após a entrada de Augusto Lima no negócio.
Sem comentar os detalhes da investigação, Davi Alcolumbre afirmou que não “comemora nada contra a história de ninguém” antes do término de todas as fases no Judiciário. O amapaense afirmou que Jaques terá a oportunidade de “provar a sua inocência” ao longo do processo.
“Esta pessoa vai ter a oportunidade de ter conhecimento dos autos do processo e de buscar provar a sua inocência. Todos têm que ter a presunção da inocência, seja ele um senador ou um deputado federal do PT, ou seja ele um senador ou um deputado federal do PL”, disse.
“Quero dizer que eu não comemoro nada contra a história de ninguém antes do trânsito em julgado de um processo nesse país. Esse país, muitas autoridades já foram vítimas dessa execração pública e, no passar do tempo, a maioria delas provou, no decorrer das investigações, conseguiu provar a sua inocência”, acrescentou.
Durante a fala à imprensa, o presidente do Senado aproveitou o momento para criticar a polarização política no país, que, segundo ele, faz com que investigados sejam considerados culpados pela opinião pública antes do julgamento e leva adversários a comemorarem operações policiais.
As críticas de Alcolumbre têm como pano de fundo menções ao próprio senador no caso Master. Na última semana, o amapaense passou a ser citado após uma reportagem da revista Veja afirmar que seu nome aparecia em uma proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro como beneficiário de repasses financeiros — acusação que o parlamentar do Amapá nega.
Davi Alcolumbre também criticou o Judiciário, que, segundo ele, não tem dado acesso integral de investigações às defesas dos acusados.
“Eu estou dando um testemunho de quem conversa com vários advogados todos os dias, e uma queixa muito grande dos advogados é não ter condições de acessar os autos do processo para poder fazer a sua defesa na plenitude. E isso é dramático, porque ninguém sabe do que está sendo acusado. Mas quando o homem público que vive da sua história sofre uma operação, esse homem público já está condenado perante a sociedade brasileira”, afirmou.
