Com chapa indefinida, PL confirma Douglas Ruas ao governo do Rio

O PL oficializou nesta sexta-feira (24/7), durante convenção partidária, a candidatura de Douglas Ruas ao governo do Rio de Janeiro. Atual presidente da Assembleia Legislativa do estado (Alerj), o deputado estadual disputará o Palácio Guanabara pela primeira vez.

A confirmação da candidatura ocorre em meio a incertezas sobre a composição da chapa. Desde fevereiro, quando Ruas foi anunciado como pré-candidato, o projeto eleitoral do PL no estado sofreu mudanças provocadas, principalmente, por reveses envolvendo aliados investigados pela Polícia Federal.

Ruas chegou à convenção sem um candidato a vice-governador definido. O ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP), anunciado para o posto em fevereiro, deixou a disputa no último domingo (19/7), alegando motivos pessoais. Também permanece indefinida a situação do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União), que ainda tenta manter a candidatura ao Senado.

Até o momento, o único nome confirmado na chapa é o do senador Carlos Portinho (PL), oficializado para disputar a reeleição. Ele substitui o ex-governador Cláudio Castro (PL), que desistiu da candidatura ao Senado após ser alvo de uma operação da Polícia Federal.

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A convenção contou com participações remotas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência e um dos principais articuladores da candidatura de Ruas, e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Em seu discurso, Flávio afirmou que o partido não pode “permitir que haja um bunker do PT” no governo fluminense. A declaração faz referência ao ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e líder das pesquisas de intenção de voto para o Palácio Guanabara.

“O nosso Rio de Janeiro hoje está sequestrado por narcoterroristas, pessoas que só pensam em projeto de poder. Não podemos permitir que haja um bunker do PT. Destruíram a cidade e não podem destruir o estado”, disse Flávio.

Douglas Ruas adotou o mesmo tom e também criticou Eduardo Paes. O deputado ainda criticou indicadores da atual gestão estadual, embora tenha integrado o governo de Cláudio Castro como secretário das Cidades.

“Não queremos o candidato do PT à frente do estado do Rio de Janeiro. As pessoas não aguentam mais. Foram quatro anos de desmanche. O crime organizado avançou, restringiram a atuação da Polícia Militar e da Polícia Civil”, afirmou.

Michelle Bolsonaro falou em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar. “Jair mandou dar um abraço para cada um e pediu para que vocês não desistam, porque ele não desistiu”, declarou.

Formado em Direito e policial civil, Douglas Ruas iniciou a carreira política sob influência do pai, o prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson. Antes de assumir a Secretaria das Cidades no governo Cláudio Castro, ocupou cargos na administração municipal de São Gonçalo e presidiu o Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Em 2022, foi eleito deputado estadual com a segunda maior votação do Rio.

Chapa indefinida

A chapa originalmente desenhada pelo PL reunia Douglas Ruas ao governo, Rogério Lisboa como vice, Cláudio Castro e Márcio Canella como candidatos ao Senado. O cenário, no entanto, foi alterado após operações da Polícia Federal atingirem integrantes do grupo político.

Castro desistiu da disputa ao Senado após ser alvo da PF. Já Canella afirma a aliados que pretende manter a candidatura, apesar de também ter sido alvo de investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis.

Durante a operação, ele foi preso em flagrante por porte ilegal de arma após um fuzil ser encontrado em seu carro. O ex-prefeito permaneceu quatro dias preso e foi solto por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta sexta-feira (24/7), Moraes livrou Canella do uso de tornozeleira eletrônica.

As mudanças também colocaram em dúvida a permanência da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, na aliança em torno de Douglas Ruas. A saída de Rogério Lisboa reforçou as especulações de que os dois partidos possam adotar uma posição de neutralidade na disputa pelo governo fluminense.

Nos bastidores, Lisboa já manifestava preocupação de que os problemas envolvendo a candidatura de Ruas pudessem afetar seus aliados políticos. Apesar das incertezas, o presidente estadual do PL, deputado Altineu Côrtes, afirmou que recebeu sinalizações de que a federação continuará no projeto.

“A gente faz política honrando a palavra e nós temos a palavra do Dr. Luizinho e do Antônio Rueda de que a federação vai ficar conosco. Se a federação tomar outro caminho, a gente toma outro caminho”, disse.

As convenções partidárias são realizadas em anos eleitorais para homologar candidaturas e definir coligações. Encerrada essa etapa, os partidos podem solicitar o registro dos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A propaganda eleitoral dos candidatos registrados começa em 16 de agosto.

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