Pesquisa aponta que mulheres em MT enfrentam violência sem reconhecer situação como agressão
Um levantamento nacional revelou um cenário preocupante em Mato Grosso: 29% das mulheres relataram ter passado por pelo menos uma situação concreta de violência nos 12 meses anteriores à pesquisa, mas não identificaram espontaneamente a experiência como violência doméstica ou familiar.
O índice registrado no estado é semelhante ao observado no restante do país, onde o percentual também alcança 29%, considerando a margem de erro do estudo.
As informações integram a 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em 2025. Os dados também passaram a compor o Mapa Nacional da Violência de Gênero, iniciativa desenvolvida pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), em parceria com o Instituto Natura e a organização Gênero e Número.
O levantamento mostra ainda que 33% das mulheres de Mato Grosso afirmaram já ter sido vítimas de violência doméstica ou familiar praticada por homens em algum momento da vida. Quando analisado apenas o período de um ano anterior à pesquisa, 14% disseram ter sofrido algum tipo de violência.
Entre as entrevistadas que reconheceram ter sido vítimas de agressões cometidas por homens, a violência psicológica aparece como a forma mais frequente, mencionada por 88%. A violência física foi relatada por 84% e a violência moral por 70%.
Os dados também indicam que, em grande parte das situações, o agressor mantinha uma relação afetiva com a vítima. Em 59% dos casos, o autor da violência era o marido ou companheiro da mulher no período em que ocorreram as agressões.
Consequências ultrapassam o momento da violência
As experiências de violência provocam reflexos em diferentes áreas da vida das vítimas. Segundo a pesquisa, 72% das mulheres afetadas disseram que tiveram mudanças ou prejuízos em sua rotina diária.
Outras 68% apontaram impactos negativos nas relações sociais e na convivência com outras pessoas. Os estudos foram prejudicados para 45% das entrevistadas, enquanto 43% afirmaram que a violência trouxe consequências para a atividade profissional ou o trabalho remunerado.
Serviços são conhecidos, mas instrumentos de proteção ainda geram dúvidas
O estudo também avaliou o nível de conhecimento das mulheres sobre os serviços disponíveis para atendimento e proteção.
A Defensoria Pública é conhecida por 97% das entrevistadas. Em seguida aparecem a Delegacia da Mulher, mencionada por 93%, e os serviços do CRAS e CREAS, conhecidos por 85%. O canal de atendimento Ligue 180 é conhecido por 79% das mulheres.
Apesar da ampla divulgação de alguns serviços, a pesquisa identificou falta de conhecimento sobre mecanismos legais de proteção. Sete em cada dez entrevistadas afirmaram conhecer pouco sobre a Lei Maria da Penha, enquanto 8% declararam não ter nenhum conhecimento sobre a legislação.
Em relação às medidas protetivas de urgência, 69% disseram ter pouco conhecimento sobre o recurso e 15% afirmaram desconhecê-lo completamente.
Outro dado destacado pelo levantamento é a percepção sobre o avanço da violência. Para 82% das mulheres entrevistadas em Mato Grosso, os casos de violência doméstica e familiar contra mulheres aumentaram nos 12 meses anteriores à realização da pesquisa.
Além disso, 69% das participantes classificaram o Brasil como um país “muito machista”.
Os números reforçam a importância de ampliar as políticas de prevenção e atendimento às vítimas, além de fortalecer o acesso à informação. Reconhecer comportamentos e situações que caracterizam violência pode ser um passo fundamental para que mulheres procurem ajuda e tenham acesso aos mecanismos de proteção disponíveis.
