“Achei que não teria mais vida a dois”, diz paciente com psoríase grave

Diagnosticado com psoríase aos 21 anos, no último semestre do bacharelado em Matemática, o professor universitário Lucas Conque Seco Ferreira, 48, passou mais de duas décadas convivendo com lesões que afetavam a pele, a autoestima e a vida social.

A doença começou no couro cabeludo e só foi identificada quando placas apareceram nas costas. Com o passar dos anos, as marcas se espalharam para orelhas, rosto, peito, costas, braços, pernas e unhas das mãos.

“Junto com a coceira, a vermelhidão que às vezes sangrava e a perda de mobilidade na pele, vinha o incômodo dos ‘flocos’ de pele na roupa, na roupa de cama e por onde quer que eu passasse”, relata Lucas.

A psoríase é uma doença crônica, não contagiosa, marcada por manchas avermelhadas cobertas por escamas esbranquiçadas. Segundo o Ministério da Saúdeela pode aparecer em formas discretas ou muito severas, atingindo grande área do corpo.

Psoríase x autoestima

No caso de Lucas, o impacto da doença superava os sintomas físicos. Ele conta que parou de usar roupas pretas, evitava piscinas e outros ambientes de lazer e chegou a recusar encontros íntimos quando a doença estava mais ativa. “Em um primeiro momento, achei que não teria mais vida a dois”, afirma.

A dermatologista Letícia Oba, coordenadora do ambulatório de psoríase do HRAN e presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia no Distrito Federal, explica que o preconceito ainda pesa muito para os pacientes.

Segundo ela, muitas pessoas acreditam, de forma errada, que a doença pode ser transmitida pelo contato. “As pessoas acham que pega, não querem encostar. Às vezes, o paciente vai ao clube e é preciso mandar uma carta dizendo que não é contagioso”, relata.


O que é psoríase e por que tratar é essencial

A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele, não contagiosa, que provoca o surgimento de placas avermelhadas com descamação. As lesões podem aparecer em diferentes partes do corpocomo couro cabeludo, cotovelos, joelhos, unhas e até regiões mais sensíveis.

A condição tem origem multifatorial: envolve predisposição genética e fatores desencadeantes, como estresse, infecções, uso de certos medicamentos e obesidade. Sem tratamento adequado, a psoríase pode ir além da pele e causar complicações importantes, como:

  • Artrite psoriática: inflamação nas articulações, com dor e limitação de movimento;
  • Doenças cardiovasculares: maior risco de infarto e AVC;
  • Alterações metabólicas: como obesidade e acúmulo de gordura no fígado;
  • Impacto psicológico: ansiedade, depressão e isolamento social.

Por isso, o acompanhamento médico é fundamental. Com o tratamento correto, é possível controlar a inflamação, evitar complicações e, em muitos casos, alcançar a remissão das lesões.


Tratamento biológico

Antes de chegar ao imunobiológico, Lucas passou por diferentes tentativas de tratamento. Usou corticoide tópico, pomadas e fez fototerapia, com banhos de luz semanaismas as medidas apenas ajudavam a controlar os sintomas.

A mudança começou quando a filha dele, estudante de Farmácia, o alertou sobre a existência de novos medicamentos para psoríase. Na época, Lucas se preparava para um pós-doutorado na Alemanha e procurou atendimento com a dermatologista Letícia.

Inicialmente, conseguiu acesso ao medicamento Skyrizi pelo plano de saúde. Segundo ele, a primeira aplicação levou à remissão das lesões em cerca de um mês. Ao voltar da Alemanha e trocar de plano, passou a ser acompanhado no HRAN e iniciou o uso do adalimumabe pelo SUS do Distrito Federal.

O caso de Lucas se encaixa no grupo de pacientes com psoríase moderada a grave, quando as lesões são extensas ou atingem áreas sensíveis do corpo, como couro cabeludo, rosto e unhas. Nessas situações, segundo Letícia, o tratamento precisa ir além das pomadas.

“Casos graves são aqueles com lesões extensas ou em áreas nobres, como couro cabeludo, face, unhas, palmas, plantas e região genital”, explica a médica.

Ela destaca que, nesses quadros, podem ser indicados medicamentos sistêmicos, como os imunobiológicos — estratégia adotada no tratamento de Lucas.

Após tratamento com imunobiológico, Lucas não apresenta mais lesões de psoríase

Referência no DF

O Hospital Regional da Asa Norte é referência no tratamento de psoríase no Distrito Federal. Segundo a Secretaria de Saúde, o ambulatório acompanha pacientes com quadros moderados e graves e funciona às segundas-feiras, nos turnos da manhã e da tarde.

Letícia explica que casos leves podem ser tratados com pomadas, loções, xampus ou géis, enquanto quadros mais avançados, como o de Lucas, exigem abordagens mais complexas, como fototerapia ou medicamentos injetáveis.

Ela também reforça que a psoríase não fica restrita à pele. “Em formas moderadas e graves, pode estar associada a inflamação sistêmica e comprometimento das articulações“, esclarece.

Vida sem lesões aparentes

Hoje, Lucas vive sem lesões aparentes. Para ele, a remissão trouxe uma sensação difícil de imaginar nos anos em que conviveu com placas espalhadas pelo corpo. “Com exceção da imunossupressão, permite que eu até pense que nunca tive psoríase”afirma.

A recomendação dele para outros pacientes é procurar atendimento especializado cedo. “Para quem convive com psoríase, procurar rapidamente atendimento para começar o tratamento adequado o quanto antes é o melhor conselho”, diz.

Para a dermatologista Letícia, o caso mostra a importância do diagnóstico e do acesso ao tratamento correto. “É uma doença que não é contagiosa, tem tratamento e pode ficar sem lesões quando bem conduzida. Quanto antes o paciente é avaliado, maior a chance de controle adequado e de evitar complicações”, afirma.

Fonte da notícia (Clique aqui para ver)

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.