Brasil anuncia produção nacional de vacinas e remédios avançados

O Brasil anunciou, nesta quinta-feira (26/3), no Rio de Janeiro, uma parceria para produzir medicamentos e vacinas com tecnologia avançada no país, incluindo imunoterapias contra o câncer.

Apesar do avanço, a produção nacional pode levar até oito anos e ainda depende de aprovação para chegar ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O acordo foi apresentado durante um diálogo internacional que reuniu representantes do Ministério da Saúde, da indústria farmacêutica e de instituições públicas.

Transferência de tecnologia mira autonomia nacional

Segundo a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, o país busca reduzir a dependência de tecnologias importadas e fortalecer a produção local.

“Estamos estruturando um sistema com três centros capazes de desenvolver vacinas de RNA mensageiro no Brasilintegrando pesquisa e produção para responder rapidamente a epidemias e outras doenças.”

A iniciativa envolve a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Butantan. A tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) ganhou destaque durante a pandemia e hoje é vista como uma das principais apostas para novas vacinas, inclusive contra o câncer.

“A tecnologia de RNA mensageiro é uma plataforma versátil, que pode ser usada não só para vírus, mas também em áreas como o desenvolvimento de vacinas contra o câncer”, afirmou.

Governo anuncia R$ 60 milhões e amplia rede de pesquisa

O Ministério da Saúde anunciou investimento de R$ 60 milhões na criação de um centro de competência em vacinas de mRNA. Além disso, o programa já soma mais de R$ 160 milhões aprovados em projetos ligados ao CD Vacinas.

Também foram anunciadas seis novas unidades de inovação em saúde, distribuídas pelo país, com investimento de R$ 30 milhões. As estruturas devem atuar em áreas como medicamentos, bioprodutos, inteligência artificial e saúde digital.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a estratégia busca preparar o país para futuros desafios sanitários. “Queremos desenvolver capacidades tecnológicas e produtivas para enfrentar desafios atuais e futuros na saúde.”

Tratamento moderno ainda não chegou ao SUS

Outro ponto discutido no evento foi o uso de imunoterapias no tratamento do câncer, como o pembrolizumabe. A diretora médica da MSD, Márcia Abadi, explicou que esse tipo de tratamento funciona de forma diferente da quimioterapia tradicional.

“O câncer consegue se esconder do sistema imunológico. A imunoterapia atua justamente fazendo com que o próprio organismo reconheça e ataque as células tumorais.”

Segundo ela, o medicamento já possui mais de 40 indicações aprovadas pela Anvisa.“Em alguns casos, como no câncer de pulmão metastático, já observamos mais de 30% dos pacientes vivos após cinco anos de tratamento.” Apesar dos resultados, o acesso ainda não é amplo no sistema público e depende da análise da Conitec.

Produção nacional pode levar até oito anos

Mesmo com o anúncio da parceria, a fabricação completa desses medicamentos no Brasil não deve acontecer no curto prazo. Segundo Rodrigo Cruz, o processo de transferência de tecnologia ocorre em etapas e pode levar quase uma década.

“A transferência de tecnologia é um processo longo, que pode levar até oito anos para que o Brasil produza o insumo farmacêutico ativo de forma totalmente nacional.”

De acordo com ele, o processo começa com etapas como envase e rotulagem, avança para formulação e só depois chega à produção completa. “A produção nacional traz previsibilidade de demanda e ganho de escala, o que pode reduzir custos e ampliar o acesso no SUS.”

A parceria também depende da avaliação da Conitec, responsável por decidir sobre a incorporação no SUS. “A expectativa é que o processo avance ainda neste ano, com etapas como consulta pública antes da decisão final.”

Avanço existe, mas impacto ainda levará tempo

O evento mostrou que o Brasil tenta avançar na produção de tecnologias de saúde e reduzir a dependência externa. Ao mesmo tempo, deixou claro que a chegada dessas inovações ao SUS ainda depende de etapas regulatórias e do tempo necessário para produção nacional.

Na prática, os anúncios indicam avanço na estratégia, mas o impacto direto para os pacientes deve acontecer de forma gradual nos próximos anos.

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