Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano, diz Inca

O Brasil deve ter, até 2028, cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano. A projeção faz parte do documento Estimativas 2026-2028, lançado nesta quarta-feira (4/2) pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) durante evento em referência ao Dia Mundial do Câncer.

Entre os mais incidentes, os destaques são o câncer de mama, entre as mulheres, e o de próstata, entre os homens. Juntos, eles respondem por cerca de um terço dos casos avaliados, seguidos pelos cânceres de cólon e reto e de pulmão.

Quando são excluídos os casos de câncer de pele não melanoma, que são analisados separadamente por apresentarem alta incidência e baixa letalidade, a estimativa fica em aproximadamente 518 mil novos diagnósticos anuais.

Com esses números, o câncer se consolida como uma das principais causas de adoecimento e morte no país, cada vez mais próximo das doenças cardiovascularesque ainda lideram o ranking.

“O câncer vem ganhando relevância no sistema de saúde e, em poucos anos, pode até se tornar a primeira causa de morte. Nesse cenário, as estimativas são ferramentas essenciais para nortear políticas públicas e organizar a rede de atenção”, afirmou Luís Felipe Martins, chefe da Divisão de Vigilância e Análise de Situação da Coordenação de Prevenção e Vigilância do Inca.

Tipos de câncer mais comuns no país

Além do número total de diagnósticos esperados, o relatório, que é produzido desde 1995 e aprimorado ao longo das décadas, também detalha quais tipos de tumor concentram a maior parte dos casos no Brasil.

Para as mulheres, a estimativa é de 178 mil novos casos anuais de câncer de mama, o equivalente a cerca de 30% dos diagnósticos. Depois aparecem os tumores de cólon e reto, com aproximadamente 27 mil casos, o câncer do colo do útero, com 19 mil, e, na sequência, pulmão e tireoide.

Nos homens, o câncer de próstata lidera com cerca de 77 mil novos casos por ano, também em torno de 30% do total. Em seguida aparecem o de cólon e reto, traqueia, brônquio e pulmão, estômago e cavidade oral.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer é um dos principais problemas de saúde pública no mundo e é uma das quatro principais causas de morte antes dos 70 anos em diversos países. Por ser um problema cada vez mais comum, o quanto antes for identificado, maiores serão as chances de recuperação
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Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer é um dos principais problemas de saúde pública no mundo e é uma das quatro principais causas de morte antes dos 70 anos em diversos países. Por ser um problema cada vez mais comum, o quanto antes for identificado, maiores serão as chances de recuperação

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Por isso, é importante estar atento aos sinais que o corpo dá. Apesar de alguns tumores não apresentarem sintomas, o câncer, muitas vezes, causa mudanças no organismo. Conheça alguns sinais que podem surgir na presença da doença
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Por isso, é importante estar atento aos sinais que o corpo dá. Apesar de alguns tumores não apresentarem sintomas, o câncer, muitas vezes, causa mudanças no organismo. Conheça alguns sinais que podem surgir na presença da doença

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A perda de peso sem nenhum motivo aparente pode ser um dos principais sintomas de diversos tipos de cânceres, tais como: no estômago, pulmão, pâncreas, etc.
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A perda de peso sem nenhum motivo aparente pode ser um dos principais sintomas de diversos tipos de cânceres, tais como: no estômago, pulmão, pâncreas, etc.

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Mudanças persistentes na textura da pele, sem motivo aparente, também pode ser um alerta, especialmente se forem inchaços e caroços no seio, pescoço, virilha, testículos, axila e estômago
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Mudanças persistentes na textura da pele, sem motivo aparente, também pode ser um alerta, especialmente se forem inchaços e caroços no seio, pescoço, virilha, testículos, axila e estômago

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A tosse persistente, apesar de ser um sintoma comum de diversas doenças, deve ser investigada caso continue por mais de quatro semanas. Se for acompanhada de falta de ar e de sangue, por exemplo, pode ser um indicativo da doença no pulmão
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A tosse persistente, apesar de ser um sintoma comum de diversas doenças, deve ser investigada caso continue por mais de quatro semanas. Se for acompanhada de falta de ar e de sangue, por exemplo, pode ser um indicativo da doença no pulmão

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Outro sinal característico da existência de um câncer é a modificação do aspecto de pintas. Mudanças no tamanho, cor e formato também devem ser investigadas, especialmente se descamarem, sangrarem ou apresentarem líquido retido
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Outro sinal característico da existência de um câncer é a modificação do aspecto de pintas. Mudanças no tamanho, cor e formato também devem ser investigadas, especialmente se descamarem, sangrarem ou apresentarem líquido retido

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A presença de sangue nas fezes ou na urina pode ser sinal de câncer nos rins, bexiga ou intestino. Além disso, dor e dificuldades na hora de urinar também devem ser investigados
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A presença de sangue nas fezes ou na urina pode ser sinal de câncer nos rins, bexiga ou intestino. Além disso, dor e dificuldades na hora de urinar também devem ser investigados

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Dores sem motivo aparente e que durem mais de quatro semanas, de forma frequente ou intermitente, podem ser um sinal da existência de câncer. Isso porque alguns tumores podem pressionar ossos, nervos e outros órgãos, causando incômodos
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Dores sem motivo aparente e que durem mais de quatro semanas, de forma frequente ou intermitente, podem ser um sinal da existência de câncer. Isso porque alguns tumores podem pressionar ossos, nervos e outros órgãos, causando incômodos

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Azia forte, recorrente, que apresente dor e que, aparentemente, não passa, pode indicar vários tipos de doenças, como câncer de garganta ou estômago. Além disso, a dificuldade e a dor ao engolir também devem ser investigadas, pois podem ser sinal da doença no esôfago
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Azia forte, recorrente, que apresente dor e que, aparentemente, não passa, pode indicar vários tipos de doenças, como câncer de garganta ou estômago. Além disso, a dificuldade e a dor ao engolir também devem ser investigadas, pois podem ser sinal da doença no esôfago

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Diferenças entre as regiões

A incidência de câncer varia entre as regiões do país. As maiores taxas ajustadas aparecem no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, áreas com maior índice de desenvolvimento socioeconômico.

Em todas as regiões, o câncer de próstata é o mais frequente entre os homens. No Norte, no entanto, o segundo lugar ficou com o câncer de estômago, enquanto no restante do país a posição costuma ser ocupada por cólon e reto. Na mesma região, o câncer de fígado aparece entre os cinco mais incidentes, um padrão diferente do cenário nacional.

Entre as mulheres, o câncer de mama lidera em todas as regiões, seguido por cólon e reto ou colo do útero, dependendo do local.

Márcia Sarpa, coordenadora da Coordenação de Prevenção e Vigilância do Câncer (Conprev) do Instituto Nacional de Câncer do Ministério da Saúde, destacou o avanço do câncer colorretal como um dos principais desafios atuais. Segundo ela, o Ministério da Saúde e o Inca já trabalham em diretrizes para prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce.

“As estimativas demonstram a importância de planejar e executar ações de prevenção, detecção precoce e acesso oportuno ao tratamento do câncer”, afirma.

Ela explicou que os dados ajudam a orientar estratégias adaptadas à realidade de cada região, desde programas de rastreamento até a organização da oferta de serviços especializados.

Desafio coletivo para o SUS

Durante o evento, representantes de organismos internacionais e do governo reforçaram que o enfrentamento do câncer exige uma resposta integrada.

“O câncer é um desafio clínico, social e de equidade. Responder ao câncer é fortalecer o SUS e cuidar das pessoas”, afirmou Jonas Gonseth-Garcia, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em comunicado.

Ele destacou que estimativas como a divulgada pelo Inca ajudam a antecipar cenários e orientar investimentos, traduzindo planejamento em melhores resultados e vidas salvas.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também ressaltou a necessidade de mobilização em torno da prevenção e do diagnóstico precoce. Para ele, os números divulgados reforçam a importância de envolver a sociedade e os profissionais de saúde no enfrentamento da doença.

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