Delegada pede prisão de sindicalista por ameaçar presidente de federação
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A delegada Judá Maali Marcondes, titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá, pediu a prisão preventiva e mandado de busca e apreensão contra Antônio Wagner, presidente do Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental do Governo (Sinpaig). Ele é suspeito de violência psicológica e perseguição contra Carmen Silvia Campos, atualmente presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso. Ao #rdnews, Wagner negou as acusações.
O pedido, que aguarda decisão da Justiça Estadual, foi feito no dia 12 de fevereiro e conta com manifestação favorável da promotora Marcelle Rodrigues da Costa e Faria, da 7ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá.
Conforme os autos, aos quais o #rdnews teve acesso, Carmen registrou um boletim de ocorrência relatando que vinha sofrendo de insônia, crises de ansiedade e dificuldades de concentração devido à reiterada exposição, constrangimento público e ameaças indiretas, perpetuadas por Antonio Wagner em grupos de WhatsApp e outras redes sociais.
“A prisão preventiva de Antonio Wagner Nicácio de Oliveira é medida imperiosa para conter o ciclo persecutório, proteger a integridade psicológica da vítima e reafirmar a autoridade do Poder Judiciário frente a um agressor reincidente e misógino que faz do espaço público instrumento de terror e intimidação contra mulheres”
Trecho do pedido feito pela delegada Judá Marcondes
No pedido, Judá alega que investigado sabe onde a líder sindical mora e poderia até matá-la diante do acirramento entre ambos nas redes sociais. “A prisão preventiva de Antonio Wagner Nicácio de Oliveira é medida imperiosa para conter o ciclo persecutório, proteger a integridade psicológica da vítima e reafirmar a autoridade do Poder Judiciário frente a um agressor reincidente e misógino que faz do espaço público instrumento de terror e intimidação contra mulheres”, diz trecho da representação.
A delegada cita ainda que Antonio Wagner não apenas expõe e difama a vítima nas redes sociais e grupos de WhatsApp, mas o faz com propósito “deliberado de constrangimento, retaliação e dominação simbólica, comportamento que reproduz dinâmicas de violência baseada em gênero, caracterizando verdadeira violência institucional e psicológica”.
Judá lembra que o sindicalista é reincidente na prática de crimes semelhantes e que sua conduta é contínua e estratégica para silenciar, intimidar e desmoralizar a vítima, que ocupa um cargo de liderança.
“A natureza das mensagens revela um discurso de desqualificação e inferiorização da mulher em posição de liderança, evidenciando uma motivação misógina e intolerância contra mulheres que exercem autoridade ou representação pública. Trata-se de indivíduo com antecedentes por fatos semelhantes, o que denota reiteração criminosa e desprezo pelas determinações legais e judiciais”, consta.
A promotora Marcelle Rodrigues da Costa e Faria se manifestou favorável ao pedido de prisão. “Por garantia da ordem pública, entende-se o risco considerável de reiteração de ações delituosas por parte do autuado, caso permaneça em liberdade, seja porque se trata de pessoa propensa à prática delituosa, seja porque, se solto, teria os mesmos estímulos relacionados ao delito cometido. Desse modo, a prisão preventiva poderá ser decretada com o objetivo de resguardar a sociedade da reiteração de crimes”, assentou.
O processo corre sob sigilo e aguarda decisão judicial.
Outro lado
Ao #rdnews, Antônio Wagner afirmou que o pedido de prisão é “um absurdo, gravíssimo” e que “não tem cabimento”. Ele alega estar sofrendo perseguição por denunciar fraudes em contratos de crédito consignado e também por questionar gastos exorbitantes da Federação.
Além disso, negou qualquer tipo de ameaça contra Carmem, principalmente em grupos de WhatsApp. O sindicalista afirmou só estar em um grupo em comum com a presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso e que nunca houve discussão que ultrapassasse um nível de debate entre representantes das unidades sindicais.
Wagner afirmou que de denúncia se trata de “uso enviesado de uma pauta importantíssima do mundo das mulheres para atacar dirigente sindical que vem fazendo denúncias gravíssimas” e que quatro mulheres já depuseram a favor dele no inquérito, afirmando que as supostas ameaças são mentiras. RISCO DE MORTE Delegada pede prisão de sindicalista por ameaçar presidente de federação Delegada pede prisão de sindicalista por ameaçar presidente de federação No pedido, delegada alega que investigado sabe onde a líder sindical mora e cita risco de morte diante do acirramento entre ambos nas redes sociais
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