Estudo liga gordura da dieta a maior agressividade no câncer de mama

Dietas ricas em gordura podem tornar alguns tipos de câncer de mama mais agressivos. É o que sugere um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, que investigou como diferentes nutrientes influenciam o comportamento de tumores.

Os cientistas analisaram especialmente o câncer de mama triplo negativo, uma forma da doença considerada mais difícil de tratar por não responder à maioria das terapias convencionais.

Os resultados, publicados na revista científica APL Bioengineering em 3 de março, indicam que a gordura não necessariamente acelera o crescimento do tumor, mas pode alterar sua estrutura de uma forma que favorece a invasão de tecidos próximos.

Para entender o efeito da alimentação sobre o câncer, os pesquisadores cultivaram tumores em um modelo tridimensional que reproduz melhor o ambiente do corpo humano. Nesse sistema, eles adicionaram plasma semelhante ao humano contendo diferentes combinações de nutrientes para simular condições metabólicas associadas a várias dietas.

Mudanças na estrutura do tumor

Os resultados mostraram que tumores expostos a altos níveis de ácidos graxos e colesterol desenvolveram projeções alongadas que se estendiam para fora do núcleo do tumor. Essas estruturas estão associadas ao comportamento invasivo do câncer e podem facilitar sua disseminação pelo organismo.

“Os cânceres agressivos formam esses filamentos, e são justamente as extremidades que acabam invadindo tecidos normais e alcançando vasos sanguíneos ou linfáticos, permitindo a metástase”, explica a bioengenheira Celeste Nelson, uma das autoras do estudo, em comunicado.

Curiosamente, outras condições testadas, incluindo ambientes ricos em insulina, glicerol ou cetonas, não produziram a mesma alteração estrutural nos tumores. Nesses casos, as células permaneceram mais compactas, semelhantes ao padrão observado na condição de referência.

Imagens de fluorescência mostram células tumorais invadindo o tecido ao redor ao longo de vários dias. As ramificações mais extensas aparecem no quadro inferior direito.

Possível relação com genes ligados à invasão tumoral

Os cientistas também observaram mudanças na atividade de um gene chamado MMP1, associado à degradação do colágeno que compõe os tecidos ao redor do tumor. O aumento da expressão desse gene apareceu fortemente relacionado às alterações estruturais observadas nas células expostas a gordura.

Segundo os pesquisadores, a hipótese é que dietas ricas em gordura possam estimular esse mecanismo, facilitando a degradação do ambiente ao redor do tumor e favorecendo seu avanço. Ainda assim, os cientistas ressaltam que a relação de causa e efeito ainda precisa ser confirmada em estudos futuros.

Os experimentos também testaram uma mistura de nutrientes projetada para simular uma dieta cetogênica, caracterizada por alto consumo de gordura e baixa ingestão de carboidratos. Nesse caso, o modelo não apresentou melhora em relação aos tumores iniciais.

Para os autores, o estudo mostra que compreender a interação entre dieta e microambiente tumoral pode ajudar a identificar novos alvos para pesquisas sobre o comportamento do câncer e possíveis estratégias terapêuticas.

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