Foto da mão pode ajudar a detectar distúrbio raro com ajuda de IA

Uma foto simples da mão pode ajudar médicos a identificar um distúrbio hormonal raro e potencialmente grave, chamado acromegalia.

Pesquisadores desenvolveram um modelo de inteligência artificial (IA) capaz de apontar sinais de acromegalia com imagens do dorso da mão, o que pode acelerar o diagnóstico de uma condição que muitas vezes passa anos sem ser descoberta.

O estudo, publicado em 27 de fevereiro no O Jornal de Endocrinologia Clínica e Metabolismoindica que a tecnologia pode funcionar como uma ferramenta de triagemauxiliando profissionais de saúde a identificar pacientes que precisam de avaliação especializada.

Distúrbio raro e de evolução lenta

A acromegalia é causada pela produção excessiva de hormônio do crescimento pelo organismo. O problema costuma surgir na meia-idade e causa alterações físicas graduais, o que dificulta a identificação nas fases iniciais.

Entre os sinais mais comuns estão o aumento das mãos e dos pés, inchaço nas extremidades, dores de cabeça frequentes e mudanças progressivas nas feições do rosto.

Como essas transformações ocorrem lentamente, muitos pacientes convivem com os sintomas por períodos muito longos antes de receber o diagnóstico. Em alguns casos, o atraso pode ultrapassar uma década.

Sem o tratamento certo, a doença pode levar a complicações sérias e reduzir a expectativa de vida em cerca de 10 anos.

IA treinada com milhares de imagens

Para desenvolver o sistema, os pesquisadores chamaram 725 participantes atendidos em 15 centros médicos no Japão. Aproximadamente metade deles havia sido diagnosticada com a acromegalia.

Mais de 11 mil fotografias das mãos foram usadas para treinar e validar o modelo de inteligência artificial. As imagens mostravam só o dorso da mão e o punho fechado, sem revelar a palma, para preservar a privacidade dos participantes.

Alta precisão no reconhecimento da acromegalia

Nos testes, o sistema apresentou desempenho considerado alto, pois, quando indicava resultado positivo, havia 88% de probabilidade do paciente realmente ter acromegalia. Já nos resultados negativos, a chance da pessoa não ter o distúrbio chegava a 93%.

O modelo também superou especialistas humanos em endocrinologia quando os profissionais analisaram as mesmas fotografias das mãos. Apesar do desempenho promissor, os pesquisadores ressaltam que a tecnologia não substitui o diagnóstico médico completo.

O teste é feito com fotos do dorso da mão e do punho fechado

IA como ferramenta complementar

A confirmação da acromegalia depende de uma avaliação ampla, que inclui exames laboratoriais, histórico clínico do paciente e observação de outras alterações físicas, como mudanças na voz ou nas expressões faciais.

Nesse contexto, a inteligência artificial pode funcionar como um recurso adicional para acelerar a identificação de casos suspeitosprincipalmente em locais onde não há especialistas disponíveis. A acromegalia é considerada uma doença rara, afetando entre 8 e 24 pessoas a cada 100 mil indivíduos.

Próximos passos do estudo

Agora, os autores do estudo pretendem testar o modelo em populações maiores e mais diversas para confirmar a eficácia do método.

A equipe também avalia se a análise de imagens das mãos pode contribuir para a detecção de outras condições que provocam alterações físicas nas extremidades, como artrite reumatoide, anemia e o chamado baqueteamento digital.

Se os resultados forem confirmados em novas pesquisas, a abordagem poderá integrar exames de rotina e ajudar profissionais de saúde a identificar mais cedo sinais de doenças que passam despercebidas.

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