Gastroenterologista explica o que as fezes podem revelar sobre a saúde
Observar as fezes pode revelar muito sobre o funcionamento do organismo. Alterações na cor, formato, consistência ou frequência de evacuação podem indicar desde mudanças na alimentação até problemas mais sérios no sistema digestivo. Especialistas explicam que prestar atenção nesses sinais é importante para identificar possíveis doenças precocemente.
De acordo com a gastroenterologista Ítala Neves, que atende na Ciclus Medicina Integrada, em Brasília, a cor das fezes pode trazer pistas importantes sobre o funcionamento do trato gastrointestinal.
Segundo ela, cocôs amarelados, gordurosos e com odor muito forte, condição conhecida como esteatorreia, podem estar associados à má absorção de gorduras e à insuficiência pancreática. Já fezes muito escuras ou pretas podem indicar sangramento no trato digestivo alto, como em casos de úlceras no estômago ou no duodeno.
“Fezes pálidas, brancas ou cor de argila, chamadas de acolia fecal, podem sugerir obstrução das vias biliares”, explica a médica.
Formato e consistência também são importantes
Outro fator observado pelos especialistas é o formato do cocô. A Escala de Bristol, utilizada na gastroenterologia, classifica os diferentes tipos de fezes de acordo com o tempo de trânsito intestinal.
De acordo com Ítala, cocôs muito duros e fragmentados indicam constipação e trânsito intestinal lento. Já as em formato de “salsicha”, lisas e macias, são consideradas o padrão ideal. Por outro lado, cocôs pastosos ou líquidos podem indicar diarreia e trânsito intestinal acelerado.
A especialista alerta que fezes muito finas, semelhantes a uma fita, merecem atenção, pois podem indicar um estreitamento no intestino grosso e precisam ser investigadas.
Presença de sangue ou muco exige investigação
A presença de sangue nas fezes é sempre um sinal que merece avaliação médica. Segundo a coloproctologista Maria Bianca Corte, do Hospital Santa Lúcia Sul, o aspecto do sangue pode indicar diferentes origens do sangramento.
Quando o sangue aparece escuro ou deixa as fezes quase pretas, pode indicar sangramento em partes mais altas do sistema digestivo, como estômago ou início do intestino. Já o sangue vermelho vivo costuma estar relacionado a sangramentos mais próximos do final do intestino ou da região anal.
Nem sempre, porém, o problema é grave. A coloproctologista explica que a presença de sangue ou muco pode estar ligada a condições benignas, como hemorróidas ou fissuras anais, mas também pode estar associada a inflamações ou tumores intestinais.
Mudanças persistentes devem ser avaliadas
De acordo com os especialistas, alterações ocasionais no aspecto das fezes podem ocorrer por mudanças na alimentação ou na hidratação. O que merece maior atenção são mudanças persistentes no padrão intestinal.
Condições como síndrome do intestino irritável, doenças inflamatórias intestinais e câncer colorretal podem provocar alterações contínuas no cocô.
A síndrome do intestino irritável, por exemplo, é considerada uma doença funcional. Isso significa que o paciente apresenta sintomas e alterações no funcionamento do intestino, mas sem lesões estruturais identificáveis.
Por isso, diante de mudanças persistentes, como fezes muito estreitas, presença de sangue, alteração na frequência ou mudança repentina no aspecto, o ideal é procurar avaliação médica.
Frequência de evacuação varia de pessoa para pessoa
Muitas pessoas acreditam que evacuar todos os dias é obrigatório, mas isso não é necessariamente verdade. A coloproctologista Maria Bianca explica que o padrão considerado saudável varia bastante.
“É considerado normal evacuar entre três vezes ao dia e até três vezes por semana. Esse intervalo serve como parâmetro para avaliarmos se um paciente apresenta ou não constipação”, afirma.
No entanto, mais importante que a frequência é o padrão individual de cada pessoa. Mudanças repentinas no funcionamento do intestino podem indicar algum problema.
