“Marielle interferiu nos interesses dos irmãos Brazão”
Em julgamento na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (24/2), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a condenação dos cinco acusados de serem os mandantes dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018.
A acusação foi feita vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Pereira Diniz Filho. Para o Ministério Público, a atuação da vereadora intereferia nos interesses dos irmãos Brazão em imóveis imobiliários na Zona Oeste do Rio.
“Qualquer embate representava ameaça aos seus negócios. Marielle realizou reuniões comunitárias em regiões da zona oeste que eram territorialmente controladas pela organização criminosa. Pretendia combater as milícias, desconstiuir loteamentos irregulares e condomínios irregularmente instalados”, disse Hindemburgo.
Após o presidente da Primeira Turma do STF, ministro Flávio Dino, abrir a sessão, o ministro Alexandre de Moraes leu o relatório do caso, que é uma espécie de resumo do processo.
Durante sua fala, o vice-PGR destacou que os denunciados se associaram de maneira estruturada e com clara divisão de tarefas a integrantes de violentas milícias fluminenses, com fim de obter vantagens econômicas.
“Sempre mediante à prática de crimes graves, sujeitos a penas máximas superiores a quatro anos. Em outras palavras: os denunciados constituíram e participaram ativamente de organização criminosa armada com atuação preponderante no estado do Rio de Janeiro”, ressaltou.
Quem são os acusados
- Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ);
- João Francisco (“Chiquinho”) Brazão, ex-deputado federal;
- Rivaldo Barbosa, delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro;
- Ronald Paulo de Alves, ex-policial militar;
- Ex-assessor do TCE Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”.
Segundo a PGR, “Marielle, que detinha carreira política em ascensão, interferiu nos interesses dos irmãos Brazão”, servindo como motivação ao homicídio.
Em duas sessões, os quatro integrantes do colegiado definirão se cinco pessoas são culpadas ou inocentes diante do que apontou a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

























