Mulher após transplante para tratar câncer colorretal: “Sem sintomas”
A norte-americana Amy Piccioli, hoje com 41 anos, levava uma vida ativa em Los Angeles quando recebeu a notícia de que estava com câncer colorretal em estágio 4, já espalhado para o fígado.
O diagnóstico surgiu de forma inesperada em maio de 2024, quando Amy procurou atendimento médico para tratar uma desidratação provocada por uma virose gastrointestinal.
Durante a investigação, um exame de tomografia revelou um tumor no cólon e múltiplas lesões no fígado. A biópsia confirmou o câncer avançado.
“Eu não tinha nenhum sinal de câncer colorretal. Nenhuma dor, nenhuma mudança no intestino e nenhum histórico familiar”, contou Amy Piccioli. “Quando um médico disse que era estágio 4, pensei: ‘Minha vida acabou’”.
Câncer colorretal
O câncer colorretal é um tumor que se desenvolve no intestino grosso, que inclui o cólon e o reto. Na maioria dos casos, a doença começa a partir de pólipos, pequenas lesões na parede do intestino que podem se tornar malignas ao longo do tempo. O problema é que o câncer pode evoluir de forma silenciosa nas fases iniciais, o que muitas vezes atrasa o diagnóstico.
Sintomas mais comuns da doença
- Alteração persistente do funcionamento do intestino;
- Diarreia ou constipação frequentes;
- Presença de sangue nas fezes;
- Dor ou desconforto abdominal;
- Perda de peso sem explicação;
- Cansaço constante.
Em alguns casos, como o de Amy Piccioli, o câncer pode não causar sintomas claros, sendo descoberto apenas durante exames feitos por outros motivos.
Após o diagnóstico, Amy iniciou um tratamento agressivo com quimioterapia, com o objetivo de controlar o avanço do câncer e reduzir as metástases no fígado.
Com o tempo, os exames mostraram que a doença estava restrita ao fígado e respondendo ao tratamento, o que abriu a possibilidade de uma estratégia incomum: o transplante de fígado para tratar metástases de câncer colorretal.
Ela foi então encaminhada para o Northwestern Medicine, em Chicagoum dos poucos centros que oferecem esse tipo de procedimento para pacientes selecionados. Segundo o cirurgião Satish Nadig, diretor do Centro Abrangente de Transplantes da instituição, muitos pacientes ainda desconhecem essa alternativa.
“Como o transplante para metástases de câncer colorretal ainda é uma estratégia relativamente nova e disponível em poucos centrosmuitos médicos e pacientes não sabem que essa opção existe. Pacientes que atendem aos critérios precisam ouvir sobre essa possibilidade cedo o suficiente para poder se beneficiar”explicou Nadig.
A busca por um doador compatível
Para que o transplante fosse possível, Amy precisava de um doador vivo compatível. Ao compartilhar a história com amigos e familiares, veio a surpresa: Lauren Prior, filha de amigos da família em Chicago, era compatível para a doação.
“Parecia destino. A família de Lauren já havia oferecido a casa para ficarmos durante minha recuperação. E então descobrimos que ela era a doadora perfeita”, diz Amy.
O transplante foi realizado em 17 de dezembro de 2025. Durante o procedimento, os médicos removeram o fígado doente de Amy e implantaram uma parte do fígado da doadora — órgão que tem capacidade de regeneração.
Exames não detectam mais câncer
Hoje, pouco mais de três meses após a cirurgia, exames especializados capazes de detectar fragmentos de DNA tumoral no sangue indicaram que Amy não apresenta mais evidências de doença. Ela segue sendo acompanhada pela equipe médica e utiliza medicamentos para evitar a rejeição do órgão transplantado.
“Saber que um transplante poderia ser uma opção de cura mudou tudo. Sou extremamente grata à minha doadora”, afirmou Amy.
Historicamente, pacientes com metástases de câncer colorretal no fígado que não podem ser removidas cirurgicamente tinham prognóstico limitado.
Segundo a Northwestern Medicine, apenas com quimioterapia a sobrevida em cinco anos gira em torno de 10%. Já em pacientes cuidadosamente selecionados que recebem transplante de fígado, a taxa pode chegar a 60% a 80%.
Esses resultados têm impulsionado pesquisas na chamada oncologia de transplantes, área que investiga como transplantes de órgãos podem ajudar no tratamento de alguns tipos de câncer.
“Se o câncer se espalhou para o fígado, pergunte ao seu médico sobre transplante. Pode ser uma opção que você nem sabia que existia”, recomenda Amy.









