o que é o novo movimento coordenado por Michelle Bolsonaro

Fora da presidência do PL Mulher, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro lançou, na última quinta-feira (9/7), o movimento “Imparáveis” para manter a mobilização conquistada pela ala feminina do Partido Liberal em meio à briga da família Bolsonaro.

A iniciativa nasceu dentro da equipe do PL Mulher, e deverá herdar a organização e até mesmo a equipe de Michelle Bolsonaro na legenda. As atividades, porém, deverão ser voluntárias.

Depois de Michelle deixar o cargo, o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, extinguiu a presidência nacional, deixando somente os diretórios estaduais.

Com isso, a equipe do PL Mulher também deixou o quadro de funcionários do partido, e o escritório que ocupavam em Brasília será desocupado até o fim deste mês.

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O “Imparáveis” é descrito pelos seus integrantes, ouvidos sob reserva pelo Metrópolescomo um movimento de inclusão feminina na política. Apesar de ter nascido dentro do Partido Liberal, dizem que não terá vinculação partidária.

A ideia é que a ex-primeira-dama continue sendo a porta-voz dos ideais que ela construiu no PL Mulher. Como mostrou o Metrópolesmais de 72 mil mulheres se filiaram ao partido de Bolsonaro durante o período em que Michelle comandou a ala feminina.

A ação já começa a movimentar as redes sociais.

“Dificuldades” e ataques de “mentirosos”

Já nas primeiras publicações nas redes sociais, o “Imparáveis” postou um vídeo com recortes do filme “Mulher Maravilha”, de 2017, em que a protagonista é alvejada. Na versão publicada, os ataques seriam de “mentirosos”.

Na legenda, aparece o seguinte: “Em meio às dificuldades, é preciso coragem para avançar”.

Michelle Bolsonaro deixou o comando do PL Mulher em meio à briga pública com o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é enteado dela. No fim de junho, a ex-primeira-dama disse, em dois vídeos, que foi “humilhada” e “desrespeitada” pelo filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro  (PL).

Dias depois, em meio ao desgaste causado pelo vídeo na pré-campanha, Michelle se reuniu com Valdemar, que pediu que a ex-primeira-dama se retratasse publicamente em defesa do pré-candidato ao Planalto. Michelle se recusou e entregou o cargo que exercia no partido.

Flávio chegou a se manifestar dizendo que nunca ofendeu Michelle e que “se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas” e tentou convidá-la a uma reunião que faria com lideranças femininas dias depois do vídeo de Michelle. O convite, segundo aliados da ex-primeira-dama, nunca foi feito.

Desde então, e com uma resistência histórica no eleitorado feminino e evangélico, a pré-campanha de Flávio tem tentado fazer acenos às mulheres por meio de aliadas de Michelle.

Priscila Costa, deputada federal e pivô na briga entre Flávio e Michelle, viajou a Portugal para passeata pró-vida com vídeo de apoio do pré-candidato à Presidência. Como mostrou o Metrópolesa vice-presidente de Michelle no PL Mulher não compareceu ao lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes (PL) ao Senado, outra figura central do racha.


Como o Ceará foi palco do racha entre Flávio e Michelle

  • Ainda em 2025, o deputado federal e presidente do diretório do PL Ceará, André Fernandespassou a ensaiar uma aproximação entre Jair Bolsonaro e o ex-adversário Ciro Gomes (PSDB), com aval do ex-presidente;
  • A iniciativa buscava pavimentar o caminho para uma aliança para se opor à reeleição de Elmano de Freitas (PT) ao governo do Ceará em 2026;
  • A aliança com Ciro é contestada por Michelle Bolsonaro, que defende o apoio a Eduardo Girão (Novo) para o governo do Estado e uma chapa puro-sangue composta por Alcides Fernandes e Priscila Costa;
  • No entanto, o acordo com o PSDB implica que o PL deverá indicar apenas uma das duas vagas ao Senado, destinando a segunda indicação ao grupo de Ciro Gomes. Com isso, o diretório acertou o nome de Alcides Fernandes, deixando a aliada de Michelle de fora;
  • Michelle sustenta que Bolsonaro escolheu Priscila, e que a decisão do diretório local desrespeitaria a vontade do ex-presidente, algo que André e Flávio negam.

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