PEC da Segurança vira teste de reaproximação para Lula e Alcolumbre

As discussões sobre a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública têm se tornado espaço para tentativas de reaproximar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A proposta, prioritária para o Palácio do Planalto à frente das eleições, perdeu força depois de ficar parada por mais de dois meses na Casa, em meio ao racha causado pela indicação e posterior rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em conversas, Alcolumbre e aliados, que incluem líderes da base governista, têm listado as prioridades do Senado neste ano. Nomes como Eduardo Braga (MDB-AM) têm feito o “meio de campo” para destravar propostas prioritárias e distensionar a relação com o governo. A PEC está no centro dessas conversas.

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), disse na terça-feira (12/5), depois de se reunir com Alcolumbre, que os relatores da PEC e do marco regulatório das terras raras deverão ser designados nos próximos dias. O petista ainda ressaltou a intenção do Planalto em criar o Ministério da Segurança Pública.

“O nome que for pautado (para a relatoria), eu tenho certeza de que dará encaminhamento ao trabalho iniciado pela Câmara dos Deputados para que seja cumprido o que o presidente Lula anunciou hoje e nós possamos votar logo a PEC da Segurança e logo em seguida ter a criação do Ministério da Segurança Pública”, disse.

Depois da conversa com Randolfe, Lula e Alcolumbre tiveram a primeira agenda pública desde que o Senado rejeitou Jorge Messias ao Supremo. Ambos os chefes dos Poderes foram à posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).  No entanto, apesar de terem sentado lado a lado na mesa principal do plenário, eles praticamente não interagiram.

Alcolumbre também não compareceu ao evento de lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, que ocorreu na manhã de terça, mesmo tendo sido convidado por Lula.

Lula e Alcolumbre participaram da posse de Nunes Marques como presidente do TSE
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Lula e Alcolumbre participaram da posse de Nunes Marques como presidente do TSE

Luiz Roberto/TSE

Lula e Alcolumbre sentaram lado a lado, mas não conversaram durante posse de Nunes Marques como presidente do TSE
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Lula e Alcolumbre sentaram lado a lado, mas não conversaram durante posse de Nunes Marques como presidente do TSE

Valter Campanato/Agência Brasil

Lula e Alcolumbre participaram da posse de Nunes Marques como presidente do TSE
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Lula e Alcolumbre participaram da posse de Nunes Marques como presidente do TSE

SEAUD/PR

Lula e Alcolumbre participaram da posse de Nunes Marques como presidente do TSE
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Lula e Alcolumbre participaram da posse de Nunes Marques como presidente do TSE

SEAUD/PR


A tramitação da PEC da Segurança

  • abril de 2025: Ministério da Justiça protocola medida que constitucionaliza o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e amplia as competências da União no combate ao crime organizado
  • julho de 2025: a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprova a matéria, tirando da União a competência exclusiva de legislar sobre a Segurança Pública, sob relatoria de Mendonça Filho (PL-PB)
  • setembro de 2025: o prefeito Hugo Motta (Republicanos-PB instala a comissão especial ainda sob a relatoria de Mendonça Filho, que defende incluir um plebiscito para reduzir a maioridade penal
  • março de 2026: após acordo, o plebiscito fica fora do texto final e Motta pauta a proposta no plenário, que aprova a PEC, que chega ao Senado.

Criação do Ministério da Segurança Pública depende da PEC

Mais cedo, Lula voltou a dizer que a PEC é a condição para a criação do Ministério da Segurança Pública, durante o lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado. Atualmente, o escopo está embutido dentro do Ministério da Justiça.

O programa faz parte da ofensiva do governo Lula contra o crime organizado e é aposta para alavancar a campanha presidencial. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada em 30 de abril, 38% da população vê a atuação do governo na segurança pública como negativa. Outros 32% consideram regular, enquanto só 25% dizem ser positiva.

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