PF detalha “atuação parlamentar” de Wagner sob interesse do Master
A Polícia Federal afirmou, em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do partido no Senado, estaria atuando no Congresso para favorecer o Banco Master. Em troca, o parlamentar teria recebido vantagens econômicas, como a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador.
O petista é um dos alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18/6).
Os investigadores descreveram três eixos principais sobre uma possível “entrega de vantagens econômicas, com destaque para a aquisição do apartamento nº 1.702, do empreendimento Poème Horto, em Salvador”.
A PF também identificou supostos pagamentos e repasses à BN Financeira e a outras empresas vinculadas ao núcleo familiar do político.
“A verificação de indícios de atuação parlamentar, por parte do senador, em temas de interesse do Banco Master, especialmente (a) em matéria de crédito consignado, (b) em relação ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e (c) em iniciativa parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de aquisição do Banco Master pelo BRB”, diz trecho do relatório.
Segundo os investigadores, os elementos reunidos mostram indícios suficientes de crimes graves como corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos financeiros conexos.
“A dinâmica investigada não se limita a contatos pessoais ou relações sociais. Os elementos apontam, em tese, a utilização de pessoas físicas e jurídicas interpostas, estruturas societárias, fundos de investimento, instrumentos contratuais, pagamentos indiretos e tratativas reservadas voltadas à circulação e dissimulação de vantagens econômicas”, diz trecho do documento.
Líder do PT é alvo
A nova etapa da Operação da PF apura suspeitas de participação de agentes públicos em irregularidades envolvendo instituições financeiras.
Além de Jaques Wagner, a PF também mira o banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro e dono do Banco Pleno, também liquidado pelo Banco Central.



