Plano Diretor prevê imóvel popular com eficiência térmica em Cuiabá | RDNews – Eleito o melhor site de Mato Grosso
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), apresentou nessa quinta-feira (09) o novo Plano Diretor do município, com foco em reorientar o crescimento urbano a partir da qualidade de vida da população. Entre os eixos estratégicos, a habitação foi destacada como um dos pontos centrais, com ênfase na obrigatoriedade de eficiência térmica nos novos projetos habitacionais, visto que a Capital mato-grossense, conhecida como “Cuiabrasa”, é apontada como um dos municípios brasileiros que pode se tornar inabitável em poucos anos devido à crise climática.
Durante a apresentação, o prefeito fez críticas diretas a modelos construtivos considerados inadequados para a realidade climática da capital mato-grossense, marcada por temperaturas elevadas. “Isso é um recado para todo mundo que quer construir aqui em Cuiabá”, afirmou, ao relatar a proposta de uma empresa que utilizava placas de concreto para construção de casas populares. Segundo ele, esse tipo de estrutura não atende às necessidades locais. “Uma placa de concreto absorve calor e transfere calor com muita facilidade. Então essa casa vai ser um inferno. Um inferno”, declarou.
Cecília Nobre/Rdnews
Abilio Brunini durante a apresentação do Plano Diretor, nesta quinta-feira (09)
Abilio destacou que projetos padronizados, comuns em outras regiões do país, não podem ser replicados sem adaptação. “Para a região Sul, funciona perfeitamente. Para nós, não”, disse. Ele também criticou o conceito de habitação de interesse social associado a soluções de baixa qualidade. “Habitação de interesse social não pode ser colocada como uma habitação para gente pobre. Não é assim”, pontuou.
O Plano Diretor apresentado reforça essa diretriz ao estabelecer a obrigatoriedade de eficiência térmica nas novas moradias. Entre as soluções apontadas estão o uso de paredes isotérmicas, ventilação cruzada e materiais adequados para reduzir a absorção de calor. A proposta também admite diferentes tecnologias construtivas, desde que superem o desempenho da alvenaria cerâmica tradicional.
A justificativa, de acordo com Abilio, vai além do conforto térmico e alcança impactos diretos na saúde e no custo de vida da população. “O que essa pessoa economiza na parcela da casa, ela vai gastar de energia, com ar-condicionado e outras despesas”, afirmou. Ele também relacionou moradias inadequadas ao agravamento de problemas de saúde. “Uma família crescendo em uma casa abafada, de baixa qualidade de vida, vai desenvolver problemas de hipertensão, problemas de saúde”, disse.
O Plano Diretor prevê ainda a construção de 10 mil novas moradias, incluindo casas e lotes urbanizados, dentro de uma política habitacional mais ampla. Conforme a apresentação, já há cerca de 1.500 unidades habitacionais em construção referente ao ano de 2025, com continuidade prevista para 2026.
A proposta habitacional está inserida em um conjunto maior de diretrizes urbanísticas que buscam enfrentar problemas estruturais da cidade, como calor extremo, expansão desordenada e falta de resiliência climática. O plano também estabelece a habitação como um dos dez eixos estratégicos para a transformação urbana sustentável de Cuiabá.
Segundo o prefeito, o objetivo é alinhar crescimento urbano com qualidade de vida. “Não é só uma casa, não é só uma moradia. É qualidade de vida”, concluiu.
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