prévia da inflação, IPCA-15 desacelera para 0,41% em junho
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação, aponta que os preços de bens e serviços subiram 0,41% em junho — em maio, o índice havia avançado 0,62%.
Os preços dos itens de alimentação e bebidas foram os que tiveram a maior alta no mês (0,74%) e também os com maior impacto no índice. O grupo habitação também pesou com participação importante da conta de energia em virtude da bandeira tarifária amarela.
Os dados referentes ao IPCA-15 foram divulgados nesta quinta-feira (25/6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No acumulado de 12 meses, a prévia da inflação tem alta de 4,8%índice maior do que os 4,64% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em relação a junho de 2025, quando o índice registrou variação de 0,26%, houve aceleração de 0,15 ponto percentual.
O IPCA-15
- O IPCA-15 difere do IPCA, que mede a inflação oficial do país, na abrangência geográfica e no período de coleta, que começa no dia 16 do mês anterior. Por essa razão, ele funciona como uma prévia do IPCA.
- O indicador coleta dados sobre as famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos. Ele abrange: Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Brasília e Goiânia.
- A próxima divulgação será no dia 28 de julho.
Projeções anuais
Segundo o relatório Focus, as previsões indicam que o IPCA fechará o ano em 5,33%.
Em 2026, a meta inflacionária é de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual (com piso de 1,5% e teto de 4,5%). Se o acumulado em 12 meses ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, a meta é considerada descumprida.
O governo projeta que a inflação ficará em 4,5%, em 2026, e o Banco Central (BC) considera o índice de 5,2%.
Destaques IPCA-15
Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 16 de maio a 16 de junho de 2026 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 16 de abril a 15 de maio de 2026 (base).
Os produtos e serviços que compõem o IPCA-15 são divididos em nove grupos. Dos nove, apenas dois tiveram sensíveis variações negativas:
- transportes: -0,03%; e
- educação: -0,02%.
Os outros sete apresentaram altas que variaram de 0,34% (comunicação) a 0,74% (alimentação e bebidas).
O grupo com maior impacto na inflação foi o de alimentação e bebidas, com elevação de 0,74% de maio para junho. O peso no IPCA-15 varia de um grupo para outro, ou seja, não é igual. Isso acontece porque o IBGE considera que alguns itens são mais consumidos pelas famílias do que outros.
Neste mês, o maior índice também correspondeu à maior contribuição. A alta de 0,74% em alimentação e bebidas respondeu por 0,16 ponto percentual de todo o índice.
A alta do grupo de alimentos foi puxada principalmente pela alimentação no domicílio, que desacelerou de maio (1,73%) para junho (0,87%). Os itens que mais contribuíram foram:
- batata-inglesa (29,42%);
- tomate (17,27%);
- feijão-carioca (14,29%); e
- cebola (9,54%).
Ainda no grupo de alimentação e bebidas, houve retrações, casos do café moído (-3,69%) e das frutas (-0,96%).
Ainda sobre alimentação, IBGE destaca que os subitens tomate, cenoura e batata-inglesa mais que dobraram de preço no primeiro semestre deste ano. As altas acumuladas respectivamente, foram de 103,84%, 103,10% e 100,20%.
O segundo grupo com maior elevação foi o de habitaçãocom alta de 0,72% e impacto de 0,11 ponto percentual no índice.
O destaque em habitação foi a elevação de 2,04% na energia elétrica residencial, sendo este o principal impacto individual no grupo.
A elevação na conta de energia tem relação com a vigência da bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100kWh consumidos.
Variação de cada grupo em junho:
- Alimentação e bebidas: 0,74%;
- Habitação: 0,72%;
- Artigos de residência: 0,36%;
- Vestuário: 0,45%;
- Transportes: -0,03%;
- Saúde e cuidados pessoais: 0,47%;
- Despesas pessoais: 0,34%;
- Educação: -0,02%;
- Comunicação: 0,34%.
