saiba o que aconteceu com os sobreviventes da tragédia

Quase quatro décadas após o maior acidente radiológico já registrado no Brasil, os sobreviventes do desastre com o Césio-137, em Goiânia, ainda convivem com marcas profundas – físicas e emocionais – deixadas pela contaminação.

O episódio teve início em 1987, quando uma cápsula contendo material radioativo foi retirada de um aparelho de radioterapia abandonado. Sem saber do risco, moradores manipularam o pó de brilho azulado, espalhando a substância por diferentes pontos da cidade.

A tragédia mobilizou uma das maiores operações de saúde pública do país: 112,8 mil pessoas foram monitoradas, 249 apresentaram algum nível de contaminação e 129 precisaram de acompanhamento médico.


Memórias radioativas

A história completa do acidente com Césio-137 é contada na série de reportagens especiais do Metrópoles “Memórias radioativas”. Confira:


Sobreviventes

Irmão de Devair, Odesson tinha 32 anos quando foi contaminado. Ele entrou em contato com o material ao manuseá-lo na casa do irmão, sem saber dos riscos. Chegou a trabalhar por oito dias como motorista de ônibus enquanto estava contaminado, transportando cerca de mil pessoas por dia.

Internado em isolamento por meses, sofreu graves consequências físicas: perdeu a palma da mão, que precisou ser reconstruída, e teve parte do dedo indicador amputada. Hoje, mora no interior de Goiás e atua como ativista pelos direitos das vítimas.

Mãe de Leide das Neves (vítima-símbolo do acidente), Lourdes perdeu a filha na tragédia e teve a casa destruída por contaminação, sendo transformada em lixo radioativo. Após o acidente, dedicou-se a cuidar do marido, Ivo, que enfrentou depressão profunda.

Atualmente, vive em uma casa doada pelo governo de Goiás, em Aparecida de Goiânia. Hoje tem 74 anos.

Tia de Leide das Neves, Luiza teve contato direto com o material após ser chamada pela sobrinha para ver a “pedrinha iluminante”. Durante uma brincadeira, Ivo pegou um pedaço de papel com o material radioativo e passou no pescoço de Odete, que lhe causou lesões graves, principalmente no pescoço.

Ela ficou internada por meses e carrega cicatrizes permanentes da contaminação. Hoje tem 66 anos.

Luiza Odete mostra cicatrizes deixadas pelo contato com Césio-137 - Metrópoles

Funcionário do ferro-velho, Geraldo ajudou a levar a cápsula até a Vigilância Sanitáriacarregando o objeto no ombro por dois quarteirões. Também foi contaminado e convive até hoje com marcas físicas deixadas pela exposição.

Geraldo Guilherme da Silva Pontes exibe marcas no ombro e nas mãos deixadas pelo contato com o Césio-137, após ajudar a levar a cápsula do material radioativo à Vigilância Sanitária. - Metrópoles

Mortes

Símbolo do acidente, Leide das Neves Ferreira tinha 6 anos quando entrou em contato com o pó de brilho azulado levado para casa pelo pai. Encantada, ela brincou com o material e chegou a ingerir a substância ao comer um ovo com as mãos contaminadas.

Ela morreu em 23 de outubro de 1987, em decorrência da exposição à radiação.

Leide das Neves Ferreira, menina que se tornou símbolo do acidente radiológico com Césio-137, ocorrido em Goiânia, em 1987 - Metrópoles

Esposa de Devair Ferreira, dono do ferro-velho onde a cápsula foi aberta, Maria Gabriela teve papel decisivo ao suspeitar dos efeitos do material e levá-lo à Vigilância Sanitária, retirando a fonte radioativa de circulação. É vista como heroína.

Ela morreu em 23 de outubro de 1987, aos 37 anos, em decorrência da exposição à radiação.

Foto em preto e branco de Maria Gabriela, vítima do Césio-137, durante tratamento. Ela morreu pouco depois - Metrópoles

  • Israel Baptista dos Santos

Funcionário do ferro-velho, Israel participou da abertura do aparelho de radioterapia e teve contato direto com o pó radioativo durante o manuseio.

Ele morreu em 27 de outubro de 1987, aos 22 anos, em decorrência da exposição à radiação.

Israel Baptista dos Santos, vítima do Césio-137 - Metrópoles

Também trabalhador do ferro-velho, Admilson ajudou a desmontar o equipamento e entrou em contato direto com o material contaminado, que chegou a ser exibido a outras pessoas.

Ele morreu em 18 de outubro de 1987, aos 18 anos, em decorrência da exposição à radiação.

Dono do ferro-velho onde a cápsula foi aberta, Devair sobreviveu aos efeitos imediatos da radiação, mas morreu sete anos depois, aos 43 anos, de cirrose hepática.

Após o acidente, enfrentou depressão e sentimento de culpa. Diante das consequências da tragédia, desenvolveu alcoolismo, o que contribuiu para o agravamento de sua saúde.

Imagem colorida mostra Devair Alves Ferreira, dono do ferro-velho palco da tragédia com Césio-137 em Goiânia - Metrópoles

Pai de Leide, Ivo morreu 15 anos após o acidente. A causa foi enfisema pulmonar, agravado pelo tabagismo e por sequelas físicas e psicológicas associadas à exposição à radiação.

Ele também enfrentou depressão e sofrimento emocional após a morte da filha.

Fonte da notícia (clique para ver)

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.