Setor produtivo de MT critica fim da escala 6×1 e vê conotação política

Os representantes do comércio em Mato Grosso se reuniram nesta segunda-feira (16) com parte da bancada federal para discutir os impactos das PECS 221/2019 e 8/2025, que propõem a redução da jornada semanal máxima de trabalho para 36 horas e o fim da escala 6×1. Durante o debate, organizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomércio-MT), foram tecidas críticas às propostas.

Rodinei Crescêncio/Rdnews

Entre elas, está o fato de a pauta ser trabalhada em um ano eleitoral, momento visto como “inadequado” pelos representantes.
“Eu não sou contra discutir a questão da redução de jornada. O que eu disse é que é um momento totalmente inoportuno, porque se está levando em conta somente a questão política e não a questão econômica que isso envolve. Quando eu disse que nós somos governados pelo Partido dos Trabalhadores, que ao que parece não quer que as pessoas trabalhem, é porque hoje nós já temos 52 milhões de pessoas envolvidas no Bolsa Família. [Além de] outras tantas em benefícios sociais estatais e que, portanto, estão completamente distantes do emprego formal e cada vez mais longe daquilo que seria ideal para um Brasil que tem tantas especificidades”, pontuou o presidente do Conselho de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Alexandre Furlan.

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A afirmação de Furlan foi amplamente discutida entre as deputadas federais presentes, Coronel Fernanda (PL) e Gisela Simona (UB). A senadora Margareth Buzetti (PP) também participou da reunião. 
Ao ser questionada se o momento atual afeta a discussão sobre o fim da escala 6×1, Gisela Simona esclareceu que a pauta precisa ser trabalhada de uma maneira mais ampliada. “[Esse momento eleitoral] prejudica o tempo necessário para uma discussão como essa porque, como a gente falou, nós precisamos ouvir todos os setores e encontrar uma melhor proposta que seja boa para todos”, refletiu.
Segundo a parlamentar, apesar de ser pessoalmente a favor do fim da escala 6×1, não há como tomar uma decisão sem discuti-la, pois isso pode fazer com que o consumidor “acabe pagando o custo final desse produto”.

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Já a coronel Fernanda usou seu momento de fala para também tecer críticas a como o texto foi projetado e entregue. A parlamentar afirmou que o projeto foi “mal feito” e com “vários erros”. A liberal, no entanto, disse que a proposta vem sendo corrigida e que é necessário que ela se adeque à “realidade do brasileiro”.
“Nós temos que ouvir todos os setores. Ninguém está levando em consideração a questão de quanto isso vai custar para o setor público, quanto isso vai custar para o setor privado. Vai realmente atender à expectativa do trabalhador? O que nós realmente devemos apresentar como proposta adequada? Tem muita coisa ainda para acontecer”, pontuou.

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Para o atual presidente da Fecomercio, José Wenceslau de Souza Júnior, a medida é como um “tiro no pé”. “Nós vamos ter que contratar mais gente e, com isso, o custo vai onerar a folha de pagamento. Quando onera na folha de pagamento, tanto do comércio, do agro, da indústria, nós repassamos para o preço do produto. O trabalhador está achando que vai ter um dia a mais de folga, mas vai continuar ganhando o mesmo. Mas o preço da mercadoria vai subir”, explica.
Wenceslau comparou ainda tanto os regimes de trabalho quanto a cultura do Brasil e da China, um dos países em maior ascensão econômica atualmente. “[A China] é o país que mais cresceu no mundo. Trabalhar lá é cultural. O que nós estamos fazendo no Brasil, essa proposta de diminuir a jornada seis por um, é transformar o Brasil num país mais preguiçoso. E o Brasil é um país de terceiro mundo. Nós precisamos trabalhar, aumentar o nosso PIB”, pontuou. DISCUSSÃO POLÊMICA Setor produtivo de MT critica fim da escala 6×1 e vê conotação política Setor produtivo de MT critica fim da escala 6×1 e vê conotação política Reunião para discutir os impactos das PEC 221/2019 e PEC 8/2025, que propõem a redução da jornada semanal máxima de trabalho e o fim da escala 6×1, aconteceu na manhã desta segunda

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